27 de dez. de 2014

Pílula

A pílula estava sobre a mesa de madeira maciça,
Ela me libertava todos os dias deste sofrimento incalculável.
Está era a minha vida depois de conviver com tantas mentiras,
Com tantas pessoas querendo meu mal.

Porque as pessoas se apegam a felicidade alheia?
Porque as pessoas querem destruir tudo que elas não tem?
Porque permitimos a mentira e a inveja corroer nossas almas?
Eu pergunto: Porque as pessoas preferem a mentira do que a verdade?

Pessoas como nós, vivem no submundo procurando abrigo,
E lá conhecemos diversas pessoas parecidas se escondendo do mal.
Este mal está no sorriso falso da socialite fazendo caridade,
Está nos cristãos que rezam, mas não ajudam o próximo.
Está na amizade suja que carrega os inocentes para o mal caminho.

Você pode tirar tudo de uma pessoa, pode jogá-la na sarjeta,
Mas jamais vai tirar a dignidade e o caráter dela.
Fuja do sorrisinho falso, pois estas pessoas nunca dizem o que pensam para você.
Essas pessoas podem querer te destruir diariamente, em todos os lugares,
Mas estas não vêem o mal que fazem a si próprias.

Isso só termina quando eu tomo a minha pílula,
Mas a realidade me obrigava a viver a passos curtos,
Eu investi com generosidade e amizade em pessoas erradas.
Mas quem pode, neste mundo, saber quem são as pessoas erradas até a máscara cair?

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16 de dez. de 2014

Louco

Seu toque vai me deixando louco,
Quando vem se aproximando de mim.
A química que nós temos é incrível,
Vai acelerando meu coração
E passando uma eletricidade.
É como se você transformasse a dor em uma coisa boa,
Esses choques transpassam meu corpo,
Me excitam,
Me fazem te querer como um louco irreprimível,
Seu toque desperta o pior em mim.
Não sei se darei conta...
Não sei se aguentarei até o fim...
Não sei se aguentarei essa cara safada quando está me possuindo.
Esse pega de cá e pega de lá,
Nunca aconteceu antes,
Nossas roupas já tinham sumido,
E seu toque, ah que toque,
Me arrepiava todo, me deixava com tesão,
Esses seus dedos cruzavam minhas costas
E me davam choques.

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Leiam textos parecidos com este: Garoto, Eu Estarei, Entretenimento: Ousado e Entretenimento.


5 de dez. de 2014

A vida e a Morte

O garoto corria, o seu folego estava quase no fim quando chegou ao topo de uma montanha nos confins do mundo. Ele nunca tinha estado tão longe de casa. Mas o medo, a ilusão e qualquer outro sentimento ruim haviam desaparecido. Ele estava ali para cumprir uma missão que ele abraçara em um momento oportuno ao seu último encontro com a Morte.
Ele olhava os vales e os campos vastos pela imensidão que seus olhos podiam alcançar, o vento assolava as arvores alguns quilômetros dali, mas ele podia reparar a beleza e a graça nos movimentos perfeitos dos troncos. Aquele não era o momento para tal admiração, a Morte estava desaparecida e a vida estava ameaçada.
O garoto clamava pela Morte de cima deste penhasco e não havia retorno. A beleza estava cessando, as flores estavam morrendo, a cadeia alimentar estava ameaçada. A Morte era necessária para que todos os ciclos pudessem continuar a existir.
— Garoto, não creio que tenha vindo até aqui para me buscar — apareceu a Morte lentamente com sua brilhante foice de prata.
— Morte! — respondeu incrédulo o garoto — Porque desapareceu? — Questionou
— Alguns acham que a Morte não é necessária para existir a vida. Tanto a vida como a Morte são um ciclo que jamais terminam. É necessário que morram os peixes para que o tubarão continue a viver, é necessário que os seres humanos morram, para que suas missões sejam finalmente finalizadas. Nada dura para sempre, nem a magoa nos corações devem permanecer. — relatou a Morte sabiamente.
— Eu sei, compreendi que não adianta nos lamentarmos por aquilo que já se foi, devemos rezar e ter fé para que a luz seja encontrada.
— Correto! Mas o sofrimento pela perda é natural, é humano, faz com que as pessoas se sintam mais vivas, para alguns isso é motivo para viver intensamente, infelizmente para outros é motivo para o fim, para o término de um ciclo que jamais deveria ter ocorrido e entram num estado deprimente e lamentável.
— Mas agora você voltará? — perguntou o garoto
— Naturalmente, a minha ausência foi um aprendizado a diversas pessoas, principalmente a você que veio até aqui clamar pelo meu retorno. Toda a sua sabedoria foi conquistada com esse gesto único. Devo parabeniza-lo por esta atitude, e lembre-se: A vida sempre continua quando aceitamos o inevitável e quando esquecemos a maldade, ninguém é mal para sempre e a dualidade existe em todos os seres, mas nunca deixe que esta maldade interfira em sua vida. A evolução depende da nossa sabedoria e de aprender com nossos erros, somente evoluímos se encerramos o ciclo de coisas ruins — Concluiu a Morte possivelmente sorrindo por baixo do capuz negro.

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Texto da série "A Morte", leia os anteriores:  A Ilusão e a Morte, A esperança e a Morte, O pecado e a Morte e A maldade e a Morte.




1 de dez. de 2014

Vampiros

Os vampiros caminhavam lado a lado,
Eles sugavam a felicidade, o amor e a esperança
Por onde eles passavam,
As flores, a vida e a bondade morriam.

Estes zumbis macabros e sem almas,
Eram pessoas do nosso convívio,
Semeiam a discórdia, a maldade e a crueldade.
Eles não perdoam ninguém.

Esses seres...
Não possuem mais vida,
Pois vivem para usar as pessoas,
A condená-las a culpa e a dor.

São aliados e se odeiam,
Mas a solidão os obrigou a se manterem juntos,
Mas um é tão mal que armazena tudo sobre o outro,
Até o ponto de mordê-lo e arrancar-lhe tudo.


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21 de nov. de 2014

Tulipas

Eu já vivi muitas vidas,
Eu já vi a dor arrancar o sangue dos pecadores,
Eu já vi a morte levar os entes queridos nas horas mais difíceis,
Eu já presenciei a perda como ninguém.

O que me fez acreditar,
Foi a esperança de que tudo um dia mudaria.
Do inferno eu já fui ao paraíso,
Eu nunca deixei de acreditar.

A vida sempre continua,
Como um rio correndo pelas suas margens,
Você só tem que se apegar em que você é,
Que esse mundo mudará totalmente para você.

Sentindo o amor,
As folhas brancas foram sendo preenchidas,
Como campos floridos pelo jasmim,
Cuide do seu jardim para que o sofrimento nunca retorne.
Mas nunca deixe de acreditar.


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12 de nov. de 2014

Garoto

Dirigindo a 90 por hora,
Eu estava insano e querendo confusão,
Garoto, essa noite, essa noite,
Não pode acabar assim.

Eu vi você andando pela rua e parei cantando pneu,
Meu Deus! Pegue uma carona comigo,
Vamos brilhar a noite toda.
Entre aqui!

Você faz bem o seu trabalho,
Você empurra, você me puxa de volta,
Esse negócio valeu a pena,
Vamos correr pela cidade inteira.

Essa vida é louca, eu estava subindo tão alto,
Mas quando descia não era nada mal também.
As horas voam, eu sinto esse impacto, não é nada mal.
Garoto, você mexe comigo muito bem.

As luzes da cidade estão sendo ofuscadas pelo nosso brilho,
E eu já não sei mais parar.
Esse corpo esfregando em mim,
Quando você aperta e empurra.

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4 de nov. de 2014

Velejando

Quero navegar na sua mente,
Velejar pelos seus sonhos
E me afogar na imensidão de seus desejos.
Quero saber cada segredo,
Ver cada memória,
E conhecer cada medo.
Não há limites para a minha embarcação,
Vou velejando e olhando as estrelas,
Tudo é tão bonito.
Quero beijar teu rosto,
Secar cada lágrima
E te ver a cada momento.

Não me culpe,
Eu estou tão apaixonado.
Cada curva em seu corpo eu desbravarei,
Quero beijar você por inteiro.
Quero olhar teus olhos, viajar por essas cores,
Eu quase posso sentir essa beleza em meu coração.
Parece uma noite de luar,
Vejo a luz sobre tua pele,
Vejo o mar passando pelas montanhas.
E tudo isso eu te olhando a minha frente,
Deitado aqui comigo mais uma vez.

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30 de out. de 2014

Almas

A fenda para o inferno estava concluída,
Pouco a pouco diversas almas condenadas caminhavam...
Caminhavam pelo túnel fétido e tenebroso,
Logo estariam no mundo dos vivos.

O garoto tinha mais uma missão a cumprir,
Ele devia recepcionar todas as almas e despachá-las.
O mundo seria devastado em poucos anos,
As pessoas carregariam a crueldade, a desordem e a discórdia.

Para ele, tudo estava ocorrendo tranquilamente,
Ele fumava seu cigarro e soprava a fumaça a sua frente,
E logo as almas surgiram lentamente pela fenda assombrosa no chão de um banheiro,
A casa alojava diversos corpos e muita sujeira.

Mas o garoto não cumpriu sua parte no plano,
Ele não libertou as almas,
E pouco a pouco elas se aglomeraram no box batendo no vidro,
Mas ali seria o fim...

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Leia os textos anteriores da Série Inferno: Vale Das Sombras (1), Inferno (2), Condenado (3), Prazer e Discórdia (4),Pecados Imperdoáveis (5), Restaurante dos Corvos (6), Perverso (7), Insano (8) e Suicidas (9).





24 de out. de 2014

Sangue XV

Eu carregava um machado,
Caminhava até seu corpo,
Nada poderia te salvar naquele momento.
Minha mente estava diabólica,
A sua morte seria bem-vinda a todos,
E eu a executaria da melhor forma.
Acertei o cabo no teu queixo,
Isso te derrubou no chão e te deixou tonto.
Mais do que já é, acredito!
Em seguida, posicionei o corte em uma de suas pernas,
A cortei fora sem dó e nem clemencia.
Cortei seu pé e vi teu sangue jorrar ainda mais.
Isso me dava um certo prazer.
Não conseguia evitar um sorriso no canto da boca.
Vários cortes e seus braços e mãos estavam separados.
Você gritava, chorava e implorava por piedade,
Para que eu parasse
E assim atendi ao teu pedido,
A morte seria pouco para você,
Mas o teu sofrimento agora será eterno.

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Leiam todos os textos da série Sangue, a mais aclamada do meu blog: 
SangueSangue IISangue IIISangue IVSangue VSangue VISangue VIIChuva de SangueSangue IX, Sangue XSangue XI: Cemitério , Sangue XII: Assassino. Sangue XIII e Sangue XIV.



20 de out. de 2014

A maldade e a Morte

     A maldade rondava as casas a procura de abrigo, ela se alojava em qualquer mente fraca que aparecesse. Ela rondava os campos floridos, as festas de amigos, as famílias grandiosas e até em um vagão de trem. A maldade era um sentimento da dualidade, qualquer um que não soubesse a controlar, deixava-a despertar de sua pior forma, levando a pessoa ao confinamento e ao fim.
     O garoto tinha recuperado a esperança em meio a esse caos, mas depois da ilusão e do pecado, ele conheceu a maldade de perto. Sua sábia conselheira já havia o alertado sobre esse mal, a Rainha da Sombras nunca falhava. E o garoto mais uma vez a chamava sob as estrelas daquela noite atípica.
— A maldade te cerca — Comentou a Morte
— Sim, eu estou sendo alvo fácil. Acreditei na ingenuidade das pessoas. Agora cá estou eu refletindo sobre essa maldade cruel.
— A maldade sempre vai existir, como eu disse antes, a dualidade deve ser controlada. Mas estes seres que hoje o perseguem são cegos. A maldade é mais forte, enfraquece o espirito e transforma pessoas boas no pior espécime. Ser mal não compensa garoto.
— Não compensa, mas os mais fracos se deixam levar por ela. O que leva uma pessoa perseguir outra?
— Nada justifica perseguir alguém, falar mal de alguém — explicou a Morte serenamente, seu manto negro esvoaçava — Mas há pessoas que sentem prazer nisso. Mas todos que percorrem o caminho da maldade, acabam sendo vítimas da própria maldade. Nenhum mal compensa, pois é uma magia que volta contra o feiticeiro. Ser mal só atrai energias ruins, definha a alma e torna o ser em um tolo.
— O que eu posso fazer para me livrar dessa maldade?
— Esse ser que o persegue tem que perceber que isso o levará ao nada. Demonstre que a maldade que ele causa não o atinge. Mas jamais cause o mal em retorno para essa pessoa, tratar maldade com maldade só tende a te levar para ao estado deprimente e desprezível semelhante ao que essa pessoa se tornou. Um dia, a dualidade e a consciência retornará a este ser e mostrará que a maldade não compensou e verá o quão estupido ele agiu. Isso é um aprendizado, uma lição de vida, mas basta a ele escolher crescer espiritualmente ou continuar no mar de trevas e solidão que a maldade o causou.

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Texto da série "A Morte", leia os anteriores:  A Ilusão e a Morte, A esperança e a Morte e O pecado e a Morte.



13 de out. de 2014

Ana Beatriz

A garota corria pela casa bem iluminada,
Os quadros com molduras douradas,
Uma estante branca num canto abarrotada de livros,
E um tapete lilás no centro da sala.

As portas de vidro davam acesso a uma imensa varanda,
A família morava no último andar do arranha-céu.
A mãe da garota logo sentiu algo estranho,
Ela conversava e tagarelava com o invisível.

As duas garotas corriam pelo quintal,
E Ana Beatriz pulava de um lado para o outro fazendo sua saia rodar.
A sua amiga não existia, mas queria brincar de algo mais...
Emocionante!

Ana Beatriz pulou a grade e subiu no parapeito, olhando para baixo,
Ela não estava com medo. Se virou de costas para ver a amiga.
E essa apenas lhe disse: "Pula! Você vai voar igual os passarinhos."
E assim a garota atendeu, soltando-se de costas para o precipício.

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9 de out. de 2014

Seu amor

Seu amor me traz de volta a vida,
Seu amor me traz aquele cheiro de jasmim em meio ao campo florido,
Seu amor me faz não querer mais nada,
Seu amor me faz sorrir,
Seu amor me encontrou quando mais precisei,
Seu amor me encontrou caído e sem vida, me ressuscitou.

Seu amor me traz a sensação de vidas passadas,
Seu amor me faz subir até o céu e planar entre as nuvens,
Seu amor me encontrou e nada poderia ser melhor do que nós dois juntos.

Me olhe nos olhos,
Me faça perceber,
Me faça ver o mundo,
Me faça sorrir ainda mais,
Me ame, só isso bastará.
Me beije...

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3 de out. de 2014

Suicidas

A obscuridade derretia os corpos no inferno,
As minhas visitas ao mundo dos vivos sempre me alegrava,
Pois eu voltava trazendo milhares de pecadores.
A morte lhes caia bem.

De cima de um penhasco, olhava o Vale dos Suicidas,
Esses queimavam ardentemente na lava fumegante.
Eles encontravam a luz depois de sofrerem por quase uma eternidade,
Mas a minha função era buscar cada um que cometesse estes atos.

O suicídio é um ato proibido contra a vida,
E eu como um bom servo do mundo dos mortos,
Mostrava a aquela alma o quanto ela causou sofrimento,
Quando seus entes queridos encontravam seu respectivo corpo.

No Vale, essas almas eram tratadas da pior forma,
Como escravas do inferno, escravas da eternidade,
Apanhando e sendo queimadas a todo o momento.
Cuidado com o que faz, eu dizia, ou você pode queimar no inferno.

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Leia os textos anteriores da Série Inferno: Vale Das Sombras (1), Inferno (2), Condenado (3), Prazer e Discórdia (4),Pecados Imperdoáveis (5), Restaurante dos Corvos (6), Perverso (7) e Insano (8).



29 de set. de 2014

O pecado e a Morte


Os ventos uivavam pela noite, as ruas estavam vazias e a lua tinha seu brilho ofuscado pelas nuvens. A escuridão envolvia as arvores, aterrorizava os fracos e comprometia todo o destino. Aquele garoto, inocente, incapaz e iludido não estava mais presente, dera lugar a um homem, capaz de enfrentar seus maiores pesadelos. Os ensinamentos e os conselhos foram bem-vindos. Ele estava parado olhando todo o caos que havia se formado, as novas responsabilidades lhe caíram mal em seus ombros franzinos. Ele estava lá à espera da Morte.
— Ora ora, quanto tempo que não te vejo garoto! — Exclamou a Morte deslizando em sua direção — Me parece que tu estás diferente, trajando esse casaco do melhor tecido e carregando novos sentimentos...
— Olá Morte, segui teus conselhos. Eu segui as suas recomendações. — disse o garoto olhando a lua — Mas agora carrego o pecado...
— Ah o pecado... — disse como se estivesse pensativa, sua foice de prata reluzia a luz da lua que o garoto ainda encarava — E que pecado é esse que tu carregas?
— Eu não sou mais uma pessoa boa, eu estou provocando a maldade. Os tantos laços destruídos, a falta de esperança, tudo que aconteceu foi tão ruim.
— Nada é tão ruim ao ponto que te faça se tornar uma pessoa má. A maldade existe no coração de todos, a dualidade existe em cada ser, é impossível qualquer um ser bom 100%. Não te iludas achando que todos possuem a bondade ou a maldade em controle, as situações que vocês, humanos, enfrentam não lhes permite controlar essa dualidade.
— Mas Morte, essa dor corroí o meu peito, meu coração está despedaçado...
— O pecado que tu carregas pode ser perdoado, mas somente se tu se perdoares primeiro. Nada é para sempre nesta vida, tudo segue o seu destino. É como o rio, ele segue teu curso e cumpre o seu propósito, chegar até o mar. Mas se a chuva é intermitente, este rio transborda e vai para lugares antes nunca acessados; após essa chuva, ele volta a seguir teu curso normal, entende ao que me refiro?
— Sim... entendo perfeitamente! — respondeu o garoto pensativo.

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Texto da série "A Morte", leia os anteriores:  A Ilusão e a Morte e A esperança e a Morte.


24 de set. de 2014

Dançando

As ondas batem em mim
E eu continuo dançando.
Venha aqui
Chegue mais perto de mim.
A música está alta e eu não consigo parar,
E você tem merecido aplausos de pé.
As luzes piscam muito rápido e meu drink está pingando em mim.
Me acorde se eu estiver sonhando,
Porque eu estou em uma vibe muito boa.

Me mantenha dançando.
Isso não pode parar,
Eu estou me sentindo muito bem.
Você me pegou como deveria,
Me levantando, quero ver o ambiente todo.
Pisei no chão e continuei dançando.
Você me beijou como quis,
E todos pulando.
Pulem! Pulem! Pulem comigo!

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19 de set. de 2014

Belo jardim

As luzes se acendiam por onde eu passasse,
Eu acho que nada mais era importante neste momento,
Mas eu não poderia deixar de sorrir.

Você trouxe a felicidade escondida,
Entre os ramos e flores desse nosso lindo jardim,
Como tudo hoje é belo.

Na imensidão de nossos desejos e sonhos mais secretos,
A realidade era muito mais espetacular aos nossos olhos.
Me perdi nas piscinas naturais que refletiam em teus cabelos.

O impulso, a eletricidade estática percorria meu corpo e me impulsionava
Para que eu te agarrasse.

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15 de set. de 2014

Sangue XIV

Adoraria que tivesse me esquecido,
Mas você continuou colocando meu nome nesta boca imunda.
Eu estava tranquilo,
Fumando meu cigarro lentamente olhando para você.
O sangue que escorreu anteriormente não foi e nunca deveria ser teu,
Mas o seu desejo em me provocar fez de você minha nova vitima.
Nada calculado.
Você preparou a granada e a deixou armada, pronta para explodir.
O que eu podia fazer?
Peguei você pelo colarinho e bati com a sua cabeça,
Várias e várias vezes,
Contra os azulejos brancos.
Seu sangue lavou meus braços, era quente e doce,
Mas exalava podridão, assim como você quando estava vivo.
Eu só parei...
Quando vi que seu corpo não ia se recuperar jamais,
Era o seu fim!
Mas agora tenho que me lavar e tirar esse sangue nojento de mim...

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Leiam todos os textos anteriores da série Sangue: SangueSangue IISangue IIISangue IVSangue VSangue VISangue VIIChuva de SangueSangue IX, Sangue XSangue XI: Cemitério , Sangue XII: Assassino. e Sangue XIII.