24 de mar. de 2014

Condenado


Eu fui condenado e preso com correntes grossas e pesadas,
Meu choro podia ser ouvido a distância e meu sofrimento notado.
A Morte, sábia e astuta, caminhava até mim, novamente no inferno,
A minha sentença seria rápida e sem delongas.

Eu não irei morrer, também não iria para o céu ou outra coisa do gênero,
Permaneceria no inferno pela eternidade e lá eu teria um cargo.
Causar mais sofrimento as almas viajantes e encaminha-las para o próximo turno.
Eu sentia o desprezo e a dor, eu era a dor e o sofrimento, eu era o maior pecado e o maior medo.

Preso para sempre na imensidão do sofrimento e descansar naquele Vale das Sombras,
Não sei porque tive que me esconder por tanto tempo em um lugar tão obscuro.
Mas a minha maldade podia ser realmente explorada, nada valia mais a pena,
E já que nem a Morte me dava o privilégio de desaparecer, eu teria que cumprir o meu destino.

O barqueiro velho e quieto se aproximava trazendo as almas para o sofrimento,
E ria secamente pela minha condenação, as correntes apertando meus tornozelos.
Meus olhos estavam vermelhos refletindo as chamas incandescentes,
E meu coração já não existia mais, eu estava prestes a iniciar o caos e a discórdia.

Continuação dos textos: Vale das Sombras e Inferno.



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19 de mar. de 2014

Selvageria


O cigarro queimava lentamente no cinzeiro sobre a mesa,
Eu estava à sua espera há tanto tempo,
Mas a minha raiva e desprezo ainda eram os mesmos,
Apaguei o cigarro no cinzeiro e me levantei com um sorriso estampado no rosto.

As mentiras foram convidadas a entrar e a se sentar conosco neste dia cinzento
E a minha paciência ia se retirando devagarzinho, estávamos em atrito.
O tempo havia fechado e as minhas respostas eram de puro sarcasmo e deboche.
A maioria pensa que sou mal ou intolerante, mas na verdade, não te suporto.

A mesa já não suportava o peso da selvageria que essa conversa proporcionava,
E desejei como nunca ter uma pistola e disparar bem no meio da sua cara.
Sentia o chão tremer, mas eu tinha dormido bem nessa última noite, tudo ia bem.
Eu chamei o garçom e pedi um Dry Martini, talvez fosse a minha abstinência.

Minha cabeça rodava com o efeito do álcool e as mentiras criavam ilusões,
Acendi outro cigarro e soltei a fumaça pelo ar entre a gente.
Pela primeira vez desde o início de nossa conversa, eu encarei aqueles olhos,
E nada do que fosse dito, nada do acontecesse, ia fazer eu querer olha-los novamente em minha vida.




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Este é o texto 98, antepenúltimo texto do blog!

14 de mar. de 2014

O vento

O vento soprava seus cabelos graciosamente,
A minha mente se perdia no brilho do sol neles.
Eu estava viajando pelas memórias de um passado muito distante,
E aquilo deixaria de existir em breve.

Eu não gostaria de te dividir com nada mais,
Não gostaria que nos perdêssemos na imensidão que nos pegou.
Mas a cada passo dado, eu estava na chuva correndo o risco de ser atingido por raios,
Esperando o inevitável, o que nós criamos.

O amor que nos segurava estava ali presente,
E seu sorriso me fazia acreditar nos sonhos mais impossíveis que eu já tinha imaginado.
Não havia nada que poderia nos afastar agora, mas eu tinha medo.
Eu queria te mostrar as estrelas e planar pelos mares imensos sob a luz do luar.

E agora eu voltava a realidade, te observando como nunca antes depois de tanto tempo,
Pensando como nós lutamos, brigamos e fizemos de tudo para dar certo.
A verdade bem escrita, o começo e o meio, nunca o fim.
E dali seguimos, sem nunca olhar para trás...




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Esse texto me recordou a Rose e o Jack no filme Titanic. O vento forte e um carinho...


10 de mar. de 2014

Sangue XI: Cemitério


A garota acordou nauseada envolta em uma poça de sangue vermelho tinto,
A cabeça doía e ela não lembrava o que tinha acontecido.
Ela se levantou e vomitou um liquido escuro por cima do sangue,
E se apoiou em uma cruz de mármore suja e trincada.

A cena era assustadora, mas ela não se importava,
Olhou em volta e percebeu estar em um cemitério mal iluminado,
A sujeira tomava conta do cenário e suas roupas estavam molhadas de sangue,
Mas ela ainda não entendia de onde teria surgido esse liquido gosmento.

A distância, ela reparou que alguém estava vindo e notou ser sua melhor amiga,
As duas estavam no shopping horas antes, isso ela conseguia se lembrar.
Ela correu e abraçou a sua amiga, mas esta não demonstrou emoção alguma,
Então ela fixou seu olhar no rosto da garota e percebeu que ela não tinha olhos...

O grito foi ensurdecedor e a garota começou a correr desesperadamente por entre os túmulos,
Uma mão a agarrou pelo tornozelo fazendo-a cair, e os gritos se intensificaram,
A sua amiga vinha andando lentamente e outras mãos surgiram do chão para agarrá-la.

Logo ela estava imobilizada e sua amiga ria macabramente, como se gostasse disso,
Levantou um pesado machado e posicionou acima da cabeça da garota desesperada,
Não havia a quem recorrer e os gritos de socorro eram em vão,
Até que se ouviu o som seco e o machado arrancou a cabeça da garota fora jorrando mais sangue para aqueles que tinham sede.

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Leiam todos os textos anteriores da série Sangue: SangueSangue IISangue IIISangue IVSangue VSangue VISangue VIIChuva de SangueSangue IX e Sangue X



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5 de mar. de 2014

O Cavaleiro da Morte


A Av. Paulista estava deserta e escura,
Carros abandonados e muito lixo tomavam conta de tudo.
O medo reinava e as pessoas estavam com medo do desconhecido,
Não havia esperanças.

Um grupo estava armado e preparado para desbravar a avenida,
A comida era escassa e a neblina dificultava identificar algo a distância.
A ação tinha sido planejada há semanas, nada poderia dar errado,
E todos cruzaram a avenida direto para um supermercado próximo.

O silêncio foi quebrado e todos congelaram, ouvidos atentos para o que se aproximava.
O som do galope era seco em contato com o asfalto e o coração de todos aceleravam,
Surgindo da névoa perolada surgiu uma cavaleiro com uma capa negra,
Empunhando uma espada e ele não tinha... cabeça!

O desespero foi geral e todos sacaram suas armas, dispararam diversas vezes,
Mas de nada adiantou, o cavaleiro cruzou o grupo e cabeças rolavam pelo asfalto,
O sangue jorrava pelo corpo caindo lentamente e o cavaleiro girou e se preparou,

O garoto franzino chorava ao ver todos caídos e o cavaleiro lhe arrancou a cabeça também.