30 de out. de 2014

Almas

A fenda para o inferno estava concluída,
Pouco a pouco diversas almas condenadas caminhavam...
Caminhavam pelo túnel fétido e tenebroso,
Logo estariam no mundo dos vivos.

O garoto tinha mais uma missão a cumprir,
Ele devia recepcionar todas as almas e despachá-las.
O mundo seria devastado em poucos anos,
As pessoas carregariam a crueldade, a desordem e a discórdia.

Para ele, tudo estava ocorrendo tranquilamente,
Ele fumava seu cigarro e soprava a fumaça a sua frente,
E logo as almas surgiram lentamente pela fenda assombrosa no chão de um banheiro,
A casa alojava diversos corpos e muita sujeira.

Mas o garoto não cumpriu sua parte no plano,
Ele não libertou as almas,
E pouco a pouco elas se aglomeraram no box batendo no vidro,
Mas ali seria o fim...

Copyright © 2014
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Esta obra é ficção e de nada tem haver com a realidade!

Leia os textos anteriores da Série Inferno: Vale Das Sombras (1), Inferno (2), Condenado (3), Prazer e Discórdia (4),Pecados Imperdoáveis (5), Restaurante dos Corvos (6), Perverso (7), Insano (8) e Suicidas (9).





24 de out. de 2014

Sangue XV

Eu carregava um machado,
Caminhava até seu corpo,
Nada poderia te salvar naquele momento.
Minha mente estava diabólica,
A sua morte seria bem-vinda a todos,
E eu a executaria da melhor forma.
Acertei o cabo no teu queixo,
Isso te derrubou no chão e te deixou tonto.
Mais do que já é, acredito!
Em seguida, posicionei o corte em uma de suas pernas,
A cortei fora sem dó e nem clemencia.
Cortei seu pé e vi teu sangue jorrar ainda mais.
Isso me dava um certo prazer.
Não conseguia evitar um sorriso no canto da boca.
Vários cortes e seus braços e mãos estavam separados.
Você gritava, chorava e implorava por piedade,
Para que eu parasse
E assim atendi ao teu pedido,
A morte seria pouco para você,
Mas o teu sofrimento agora será eterno.

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Leiam todos os textos da série Sangue, a mais aclamada do meu blog: 
SangueSangue IISangue IIISangue IVSangue VSangue VISangue VIIChuva de SangueSangue IX, Sangue XSangue XI: Cemitério , Sangue XII: Assassino. Sangue XIII e Sangue XIV.



20 de out. de 2014

A maldade e a Morte

     A maldade rondava as casas a procura de abrigo, ela se alojava em qualquer mente fraca que aparecesse. Ela rondava os campos floridos, as festas de amigos, as famílias grandiosas e até em um vagão de trem. A maldade era um sentimento da dualidade, qualquer um que não soubesse a controlar, deixava-a despertar de sua pior forma, levando a pessoa ao confinamento e ao fim.
     O garoto tinha recuperado a esperança em meio a esse caos, mas depois da ilusão e do pecado, ele conheceu a maldade de perto. Sua sábia conselheira já havia o alertado sobre esse mal, a Rainha da Sombras nunca falhava. E o garoto mais uma vez a chamava sob as estrelas daquela noite atípica.
— A maldade te cerca — Comentou a Morte
— Sim, eu estou sendo alvo fácil. Acreditei na ingenuidade das pessoas. Agora cá estou eu refletindo sobre essa maldade cruel.
— A maldade sempre vai existir, como eu disse antes, a dualidade deve ser controlada. Mas estes seres que hoje o perseguem são cegos. A maldade é mais forte, enfraquece o espirito e transforma pessoas boas no pior espécime. Ser mal não compensa garoto.
— Não compensa, mas os mais fracos se deixam levar por ela. O que leva uma pessoa perseguir outra?
— Nada justifica perseguir alguém, falar mal de alguém — explicou a Morte serenamente, seu manto negro esvoaçava — Mas há pessoas que sentem prazer nisso. Mas todos que percorrem o caminho da maldade, acabam sendo vítimas da própria maldade. Nenhum mal compensa, pois é uma magia que volta contra o feiticeiro. Ser mal só atrai energias ruins, definha a alma e torna o ser em um tolo.
— O que eu posso fazer para me livrar dessa maldade?
— Esse ser que o persegue tem que perceber que isso o levará ao nada. Demonstre que a maldade que ele causa não o atinge. Mas jamais cause o mal em retorno para essa pessoa, tratar maldade com maldade só tende a te levar para ao estado deprimente e desprezível semelhante ao que essa pessoa se tornou. Um dia, a dualidade e a consciência retornará a este ser e mostrará que a maldade não compensou e verá o quão estupido ele agiu. Isso é um aprendizado, uma lição de vida, mas basta a ele escolher crescer espiritualmente ou continuar no mar de trevas e solidão que a maldade o causou.

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Texto da série "A Morte", leia os anteriores:  A Ilusão e a Morte, A esperança e a Morte e O pecado e a Morte.



13 de out. de 2014

Ana Beatriz

A garota corria pela casa bem iluminada,
Os quadros com molduras douradas,
Uma estante branca num canto abarrotada de livros,
E um tapete lilás no centro da sala.

As portas de vidro davam acesso a uma imensa varanda,
A família morava no último andar do arranha-céu.
A mãe da garota logo sentiu algo estranho,
Ela conversava e tagarelava com o invisível.

As duas garotas corriam pelo quintal,
E Ana Beatriz pulava de um lado para o outro fazendo sua saia rodar.
A sua amiga não existia, mas queria brincar de algo mais...
Emocionante!

Ana Beatriz pulou a grade e subiu no parapeito, olhando para baixo,
Ela não estava com medo. Se virou de costas para ver a amiga.
E essa apenas lhe disse: "Pula! Você vai voar igual os passarinhos."
E assim a garota atendeu, soltando-se de costas para o precipício.

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9 de out. de 2014

Seu amor

Seu amor me traz de volta a vida,
Seu amor me traz aquele cheiro de jasmim em meio ao campo florido,
Seu amor me faz não querer mais nada,
Seu amor me faz sorrir,
Seu amor me encontrou quando mais precisei,
Seu amor me encontrou caído e sem vida, me ressuscitou.

Seu amor me traz a sensação de vidas passadas,
Seu amor me faz subir até o céu e planar entre as nuvens,
Seu amor me encontrou e nada poderia ser melhor do que nós dois juntos.

Me olhe nos olhos,
Me faça perceber,
Me faça ver o mundo,
Me faça sorrir ainda mais,
Me ame, só isso bastará.
Me beije...

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3 de out. de 2014

Suicidas

A obscuridade derretia os corpos no inferno,
As minhas visitas ao mundo dos vivos sempre me alegrava,
Pois eu voltava trazendo milhares de pecadores.
A morte lhes caia bem.

De cima de um penhasco, olhava o Vale dos Suicidas,
Esses queimavam ardentemente na lava fumegante.
Eles encontravam a luz depois de sofrerem por quase uma eternidade,
Mas a minha função era buscar cada um que cometesse estes atos.

O suicídio é um ato proibido contra a vida,
E eu como um bom servo do mundo dos mortos,
Mostrava a aquela alma o quanto ela causou sofrimento,
Quando seus entes queridos encontravam seu respectivo corpo.

No Vale, essas almas eram tratadas da pior forma,
Como escravas do inferno, escravas da eternidade,
Apanhando e sendo queimadas a todo o momento.
Cuidado com o que faz, eu dizia, ou você pode queimar no inferno.

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Leia os textos anteriores da Série Inferno: Vale Das Sombras (1), Inferno (2), Condenado (3), Prazer e Discórdia (4),Pecados Imperdoáveis (5), Restaurante dos Corvos (6), Perverso (7) e Insano (8).