27 de jan. de 2015

Raped

O rapaz entrou em seu quarto escuro, como era de costume, e foi se despindo depois de um longo dia de trabalho. O silencio pairava pelo ar, chegava a ser fúnebre. Se preparando para tomar banho, caminhou até um canto do quarto tateando pela parede até encontrar a sua toalha. O silêncio já não era predominante, parecia ouvir um barulho de respiração ofegante, congelou por um momento e tentou olhar cada canto do quarto, mas logo se distraiu e pensou ser algo de sua cabeça. Foi ao banheiro e ligou o chuveiro, a água estava deliciosamente morna e estava refrescante, bem diferente do calor infernal que passará por quase 1h no transporte público até a sua casa.
Passados 20 minutos, ele retornou ao quarto e estava pronto para ir cozinha comer algo, a vida de morar sozinho tinha diversas vantagens, mas ele se lembrou rapidamente dos tempos que morava com a mãe e chegava em casa e a comida sempre estava pronta a mesa. Seis passos e sentiu um braço passando pelo seu pescoço, uma mão lhe tapou a boca e ele tentava gritar, mas jamais seria ouvido. Aparentemente seria um homem, pela força empregada na ação e os pelos roçando em seu cangote. A sua toalha caiu deixando-o totalmente nu e os dois caíram sobre a cama, o rapaz por cima do outro, e assim continuaram por um tempo se debatendo. O seu cansaço fez com que parasse de relutar e o homem desconhecido afrouxou um pouco o braço em seu pescoço. O homem soltou sua boca e disse ao pé do ouvido que qualquer barulho, viriam mais pessoas e o matariam. O rapaz assim assentiu. O homem abaixou as calças com dificuldade, visto que o rapaz estava por cima dele. O rapaz logo sentiu algo quente pulsando e começou a gritar, ele sabia o que aconteceria em seguida e não queria que aquilo acontecesse. Uma faca apareceu em seu pescoço e novas ameaças foram feitas. O rapaz foi estuprado, sem dó nem piedade, as lágrimas desciam pelo rosto e a dor o consumia, ele era gay, mas jamais fora penetrado de uma forma tão repugnante, sem vida, vazio, foi assim que ele ficou logo após o ato. Sentiu um liquido quente escorrer pelo rosto e o cheiro de urina, o homem se divertia e parecia ter planejado aquilo há muito tempo. O homem foi embora. O rapaz... esse nunca mais fora o mesmo, o vazio preencheu sua alma e as cores do arco-íris viraram cinza, ele tinha repulsa que qualquer um o tocasse.


Dez dias depois, uma mulher estava caminhando em uma rua pouco movimentada, a não ser pelos tantos carros, fumava um cigarro lentamente após mais um dia longo de serviço, ela desejava morrer todos os dias com aquela vida sem sentido. Ela se assustou, um estrondo preencheu a noite e um corpo voou uns 20 metros pousando próximo a ela. O motorista desceu de seu carro em choque, gritava que não tivera culpa, o rapaz havia se jogado em seu carro, fora inevitável o atropelamento. O rapaz jazia morto na sarjeta, lindo e bem cuidado, jovem, mas perfurado pela maldade. Vários carros pararam para assistir a cena e uma multidão se formava. A mulher, se fez em lágrimas e caiu de joelhos de fronte ao rapaz, aquele caído ao relento e ensanguentado, era seu filho...



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20 de jan. de 2015

Pecadores

As chamas, as labaredas, o magma,
Nada mais importava para mim,
Além da sua angustia,
Além do seu sofrimento.

Eu estava saindo desse inferno fumegante,
Passando pelo corredor dos pecadores e condenados.
Eu estava indo ao teu encontro,
Para lhe causar todo o mal que eu pudesse.

Não estava comprometido com a justiça,
O ar não era mais necessário em meus pulmões.
Eu estava livre apenas para executar essa missão especial.
Mas este corredor estava se tornando eterno.

Eu te encontrei muito tempo depois,
E do seu corpo fiz uma caveira.
E com a sua alma,
A carreguei para o inferno... para queimar.

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Leia os textos anteriores da Série Inferno: Vale Das Sombras (1), Inferno (2), Condenado (3), Prazer e Discórdia (4),Pecados Imperdoáveis (5), Restaurante dos Corvos (6), Perverso (7), Insano (8), Suicidas (9) e Almas (10).



14 de jan. de 2015

Ei

Ei, vamos propagar o fogo?
Ei, vamos aquilo que queríamos?
Ei, vem aqui e dança comigo?
Ei, diga algo para mim?

Ei, Me empresta um isqueiro?
Ei, vamos fazer algo louco?
Ei, estamos dançando, está gostando?
Ei, vamos embora daqui?

Algo me diz que você está se interessando por mim,
Mas eu não posso perder o foco,
Pois você só quis me usar enquanto pode.
Será que isso vai durar?

Ei, me pegue aqui?
Ei, me beije como se fosse a nossa última vez?
Ei, me faz ficar louco, louco e louco?
Ei, pode pegar!

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5 de jan. de 2015

Espinhos

O chapéu de palha voava pela estrada coberta de musgo,
O destino soprava os ventos para alterar tudo novamente.
Lá profundamente dentro da sua mente,
Eu estava como um fantasma andando entre os espinhos sem me ferir.

É impossível me esquecer, isso eu sei,
Mas não importa para onde você vá,
Não importa quão feliz esteja.
Eu estarei lá para te lembrar que a sua maldade não serviu de nada.

Eternamente e para sempre,
Você lembrará do meu sorriso doce,
Dos nossos beijos com gosto de quero mais,
De tudo que perdeu por ser a pior pessoa que alguém pode conhecer.

Não há formas, não há maneiras de explicar,
O quão idiota você é... e é assim que te guardo em minha mente.
Todas as lembranças boas entre nós estão estampadas nas suas atitudes ruins,
Todas as lembranças ruins estão retratadas em meu desprezo.

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