29 de set. de 2014

O pecado e a Morte


Os ventos uivavam pela noite, as ruas estavam vazias e a lua tinha seu brilho ofuscado pelas nuvens. A escuridão envolvia as arvores, aterrorizava os fracos e comprometia todo o destino. Aquele garoto, inocente, incapaz e iludido não estava mais presente, dera lugar a um homem, capaz de enfrentar seus maiores pesadelos. Os ensinamentos e os conselhos foram bem-vindos. Ele estava parado olhando todo o caos que havia se formado, as novas responsabilidades lhe caíram mal em seus ombros franzinos. Ele estava lá à espera da Morte.
— Ora ora, quanto tempo que não te vejo garoto! — Exclamou a Morte deslizando em sua direção — Me parece que tu estás diferente, trajando esse casaco do melhor tecido e carregando novos sentimentos...
— Olá Morte, segui teus conselhos. Eu segui as suas recomendações. — disse o garoto olhando a lua — Mas agora carrego o pecado...
— Ah o pecado... — disse como se estivesse pensativa, sua foice de prata reluzia a luz da lua que o garoto ainda encarava — E que pecado é esse que tu carregas?
— Eu não sou mais uma pessoa boa, eu estou provocando a maldade. Os tantos laços destruídos, a falta de esperança, tudo que aconteceu foi tão ruim.
— Nada é tão ruim ao ponto que te faça se tornar uma pessoa má. A maldade existe no coração de todos, a dualidade existe em cada ser, é impossível qualquer um ser bom 100%. Não te iludas achando que todos possuem a bondade ou a maldade em controle, as situações que vocês, humanos, enfrentam não lhes permite controlar essa dualidade.
— Mas Morte, essa dor corroí o meu peito, meu coração está despedaçado...
— O pecado que tu carregas pode ser perdoado, mas somente se tu se perdoares primeiro. Nada é para sempre nesta vida, tudo segue o seu destino. É como o rio, ele segue teu curso e cumpre o seu propósito, chegar até o mar. Mas se a chuva é intermitente, este rio transborda e vai para lugares antes nunca acessados; após essa chuva, ele volta a seguir teu curso normal, entende ao que me refiro?
— Sim... entendo perfeitamente! — respondeu o garoto pensativo.

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Texto da série "A Morte", leia os anteriores:  A Ilusão e a Morte e A esperança e a Morte.


24 de set. de 2014

Dançando

As ondas batem em mim
E eu continuo dançando.
Venha aqui
Chegue mais perto de mim.
A música está alta e eu não consigo parar,
E você tem merecido aplausos de pé.
As luzes piscam muito rápido e meu drink está pingando em mim.
Me acorde se eu estiver sonhando,
Porque eu estou em uma vibe muito boa.

Me mantenha dançando.
Isso não pode parar,
Eu estou me sentindo muito bem.
Você me pegou como deveria,
Me levantando, quero ver o ambiente todo.
Pisei no chão e continuei dançando.
Você me beijou como quis,
E todos pulando.
Pulem! Pulem! Pulem comigo!

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19 de set. de 2014

Belo jardim

As luzes se acendiam por onde eu passasse,
Eu acho que nada mais era importante neste momento,
Mas eu não poderia deixar de sorrir.

Você trouxe a felicidade escondida,
Entre os ramos e flores desse nosso lindo jardim,
Como tudo hoje é belo.

Na imensidão de nossos desejos e sonhos mais secretos,
A realidade era muito mais espetacular aos nossos olhos.
Me perdi nas piscinas naturais que refletiam em teus cabelos.

O impulso, a eletricidade estática percorria meu corpo e me impulsionava
Para que eu te agarrasse.

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15 de set. de 2014

Sangue XIV

Adoraria que tivesse me esquecido,
Mas você continuou colocando meu nome nesta boca imunda.
Eu estava tranquilo,
Fumando meu cigarro lentamente olhando para você.
O sangue que escorreu anteriormente não foi e nunca deveria ser teu,
Mas o seu desejo em me provocar fez de você minha nova vitima.
Nada calculado.
Você preparou a granada e a deixou armada, pronta para explodir.
O que eu podia fazer?
Peguei você pelo colarinho e bati com a sua cabeça,
Várias e várias vezes,
Contra os azulejos brancos.
Seu sangue lavou meus braços, era quente e doce,
Mas exalava podridão, assim como você quando estava vivo.
Eu só parei...
Quando vi que seu corpo não ia se recuperar jamais,
Era o seu fim!
Mas agora tenho que me lavar e tirar esse sangue nojento de mim...

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Leiam todos os textos anteriores da série Sangue: SangueSangue IISangue IIISangue IVSangue VSangue VISangue VIIChuva de SangueSangue IX, Sangue XSangue XI: Cemitério , Sangue XII: Assassino. e Sangue XIII.



10 de set. de 2014

Infinito

Te coloquei em minhas costas
E sai correndo.
Você levantou os braços e curtiu como nunca.
Seu sorriso vale mais do que tudo.
Tudo que eu sei sobre o amor,
Você me ensinou.
Juntos ficaremos para sempre,
E agora caídos um ao lado do outro,
Penso que poderia perder uma vida olhando para você.
Nós nunca nos perdemos nesse imenso tempo,
E quando achei que havíamos nos perdido...
Você estava lá para mim.
Você sempre me deu tudo.
Talvez eu não tenha sido tão bom,
Preciso te dar mais valor do que jamais dei.
Todo este tempo, fizemos tudo certo,
Nada caminhou tão perfeito.
Seu amor por mim, me fez escapar da escuridão,
Me trouxe de volta a vida.
Me fez respirar o aroma gostoso da natureza
E subir até o infinito.

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6 de set. de 2014

Insano

As escondidas, essa é minha distração.
Você acha que eu estou como hoje?
Você acha que estou gostoso?
Essa é a pegada.
Então olhe para mim.
Olhe para mim.
Pois o seu olhar já diz tudo.
Todos vêm correndo e gostam de tirar uma foto comigo.
Eu sou o próprio fogo,
A própria chama da discórdia.
Me puxem, me prendam...
Eu estou insano.
E não sei lidar com isso,
Meu psiquiatra já desistiu de mim e eu apenas estou gargalhando.
Eu sou a própria maldade.
Nada calculado.
Venha me fazer sentir como uma .... está noite.
Quem sabe assim eu realize seu sonho e você realiza o meu.
Eu sou o impossível, eu sou o improvável,
Eu sou o pecado e a praga na terra, mas isso não é ruim...
Porque todos querem estar aqui comigo.

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Leia os textos anteriores da Série Inferno: Vale Das Sombras (1), Inferno (2), Condenado (3), Prazer e Discórdia (4),Pecados Imperdoáveis (5), Restaurante dos Corvos (6) e Perverso (7).







2 de set. de 2014

Limites

Se lembra quando nos conhecemos,
O céu estava tão azul.
Acho que foi paixão à primeira vista,
Não havia nada em você que não me encantasse.
Essa paixão passou limites antes nunca ultrapassados,
E nossos desejos fizeram de nós dois uns tolos.
Achamos que éramos invencíveis aos sentimentos.
Achamos que seriamos somente eu e você.
Mas o tempo se encarregou de fazer tudo por nós,
As provocações, as intrigas, as brigas...
E eu quis que você me odiasse, para me esquecer.
E hoje você me odeia,
Suportarei você falando que eu te usei,
Mas talvez você jamais entenda que fiz tudo isso por nós,
Pois nunca daríamos certo juntos.
Porque eu sou um problema muito grande para se carregar.
Me deixe neste campo enorme sozinho...
E me esqueça... esqueça que eu existo!

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