25 de mai. de 2013

Sangue IV

Eu rolava barranco abaixo,
comendo terra e me ralando todo,
não havia mais volta,
eu havia pulado sem medir consequências.

A minha dor me consumia
e não havia uma máquina do tempo.
Não havia nada que parasse essa angustia,
A escuridão me tragava para os meus maiores pesadelos.

Após o barranco, eu bati a cabeça,
meu sangue quente escorria lentamente pelo rosto,
e com ele se misturavam as minhas lágrimas,
o desespero era substituído por algo inexplicável.

Eu corria, mas não sabia para onde queria ir,
Eu gritava, mas apenas ouvia o eco em retorno,
Eu seguia por esse caminho, mas nada acontecia,
só as trevas permanecia.

Não tinha saídas, não havia portas...
meu sangue gotejava e ia perdendo os sentidos...
tudo rodava agora e não sentia mais o chão...
Eu cai, mas não sentia mais dor.

Copyright © 2014
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ACESSE os textos anteriores da série: Sangue, Sangue II e Sangue III

16 de mai. de 2013

Almas Podres

Eu andava, vagava por ruas cheias de gente,
almas carregando corpos fétidos e sujos...
não havia reação, emoção ou qualquer outro sentimento,
não havia mais amor... eram rostos estaticos...

Eu acendi meu cigarro e a fumaça preenchia o vazio,
também preenchia meu pulmão podre,
como o meu coração que apenas bombeava meu sangue escarlate...
... carregado de pecados e tristezas.

A minha alma também carregava um corpo,
não havia mais vida ou sentimento,
apenas estava vivendo um dia após outro dia,
sem vontade de acordar, só queria dormir e viver de sonhos.

Minhas pernas fraqejavam, mas eu continuava vagando,
e agora eu procurava alguém que ainda respirava,
longe ou entre esses tantos corpos vagando na imensidão,
até que eu vi a luz naquele sorriso e
nas curvas do seu cabelo.

Não pensei duas vezes, o sentimento que você emanava... me drogava,
fez eu sentir o gosto de menta de meu cigarro.
E então eu voltei, você sempre me resgatava dos meus sonhos inebriantes,
O amor que a minha vida respira.



11 de mai. de 2013

Lágrimas

Deitamos em uma cama longa,
todo o espaço entre eu e você já era muito,
logo eu estava em seus braços...
... macios e quentes.

Meu coração palpitava como o de um passarinho,
seu toque enlouquecia os meus sentidos
e eu ainda não acreditava estar com você novamente,
mas essa noite nos reservava surpresas.

A minha voz rouca deu um ultimato,
as lágrimas desciam pesadamente pelo teu rosto
e eu queria tanto secá-las, afagar seus cabelos
e colocar sua cabeça em meu peito.

O fim! Estava acabando o que era para durar a vida inteira,
eu queria chorar com você, mas eu continuava falando,
até que senti o calor do seu corpo novamente, nos envolvendo em um gostoso abraço,
então as minhas lágrimas se juntaram as suas.

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5 de mai. de 2013

Sangue III


A nevoa perolada rodopiava pela pista,
os carros passavam rapidamente,
as escolhas já haviam sido tomadas e agora
eu estava a 180km em meu C4 Pallas roubado.

Passei pelo primeiro túnel na rodovia Imigrantes,
as lágrimas despencavam do meu queixo e minha visão distorcia,
na saída do túnel, vejo luzes amarelas piscando,
a velocidade, o álcool, meu sangue.

Um barulho infernal preencheu a minha mente,
o carro rodopiou muitas vezes e cacos de vidro batiam em meu rosto.
O teto do carro cedeu com o impacto no asfalto e meu corpo saiu pela janela,
rolando até a mureta de proteção.

A nevoa ainda rodopiava e agora o silêncio predominava,
meus olhos permaneciam abertos, mas eu não enxergava mais,
e meu sangue brilhava cada vez mais a cada gota que caia de meu nariz...
Escolhas... o desespero... a aflição... a minha morte...



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ACESSE os dois primeiros textos da série: Sangue e Sangue II