26 de fev. de 2014

Inferno


A luz do Sol penetrava a escuridão,
Este vale de pecados e criaturas do mal podia renascer novamente,
As flores começavam a crescer e o calor afastava o frio,
Um novo dia chegou.

A confissão infinita e o fim,
Nesse mar de trevas, eu podia ver o quanto fiquei preso no inferno.
Aquele Vale das Sombras onde a Morte me procurava,
Estava sumindo gradativamente.

Mas eu permaneço aqui, me agarrando para que não me tirem desse vale,
As coisas podem ter mudado, mas eu ainda mereço ser condenado.
Este vale ainda não foi pior o bastante para mim,
Eu olho o sofrimento e acho graça. Quão mal eu sou?

E a Morte poderia me chamar para ser seu aliado,
Pois sou frio e estou perdendo o poder de sentir.
Eu toco, mas não sinto a sensação. Na verdade, já morri...
E nada como servir com a maldade...





21 de fev. de 2014

Pedras Rolando

As pedras rolavam barranco abaixo,
Carregavam tudo o que estava pela frente,
Inclusive a mim, que descia inconsciente, minha cabeça batia e batia.
A queda havia sido dura.

Eu já havia caído antes, mas não nessa intensidade,
E enquanto eu descia me machucando inteiro,
A minha vida passava rapidamente como um flash,
O que eu deixei de ser?

Amadurecer, crescer, deixar de ser aquilo que você é,
São coisas que acontecem com nossos erros e conquistas,
Mas quando deixamos de acreditar no melhor das pessoas...
... estas mudanças nunca são bem-vindas!

E quando deixamos de acreditar em si mesmos? No próprio potencial.
Pensar que é um inútil e que não representa nada para ninguém,
Até que você erra e descobre que você se perdeu dentro da sua própria vida,
Descobre que você mesmo que criou as paredes de vidro.

Então você para e olha a sua volta, olha tudo que está acontecendo e o que aconteceu,
E se depara com tudo em processo de demolição e compara essas pedras rolando com a sua vida.
Até quando você vai deixar a sua vida rolar neste barranco?
Nunca é tarde para se agarrar em uma arvore e salvar aquilo que te importa.



17 de fev. de 2014

A esperança e a Morte


     A vida estava feliz, as folhas das árvores voavam a frente e nada podia ser melhor, a vida estava caminhando a passos precisos. O garoto camuflado pela ilusão, anteriormente, agora se via cheio de esperanças. O conselho que a Morte lhe dera tinha sido fundamental para a tomada de atitudes necessárias.
     Os laços estavam refeitos e a paz e a tranquilidade haviam reinado. Mas o que será que a Morte falaria sobre os tempos atuais, onde tudo parecia tão normal? O garoto apenas desejou saber, no meio daquele parque onde o vento carregava tudo, até a Morte aparecer novamente...
— Olá garoto, vejo que está bem melhor do que na última vez que eu o vi — Disse a Morte solenemente se aproximando do garoto com sua foice de prata em uma das mãos — Não tem mais medo de mim?
— Olá Morte! Estou melhor mesmo, a ilusão me deixou. Medo? — disse o garoto encarando possivelmente um rosto por baixo daquele capuz preto — Medo é algo que tento não ter, mas devido a diversas circunstancias, não sei mais o que temer.
— A ilusão está presente em tudo, até em teus medos. Mas hoje vejo um novo sentimento em seu coração, a esperança, esta dizem ser a quinta essência da ilusão humana. Você crê nisso?
— A esperança pode até ser uma ilusão, mas ela é melhor do que o medo, concorda? — Disse o garoto seguro de si
— Sábias palavras, o medo somente nos prova de sentirmos outra essência da ilusão, a felicidade. Mas concordo que a esperança renova até a nossa coragem e nos fornece muitos outros sentimentos. — A morte disse isso se distanciando, o tempo era curto — Devo cumprir meu destino, como você deve cumprir o teu, com ou sem esperança. Tente e consiga, aproveita esse otimismo e crie laços.
— Farei isso, não sou mais trouxa. Agora estou tratando todos como me tratam e muita gente está descobrindo como são más com as outras.
— Essa atitude tem um elevado custo, você já deve ter percebido — respondeu a Morte
— Sim, mas vale a pena, ser pisado e maltratado não é bom para ninguém. Agora eu estou seguro do que sou e seguro do que devo fazer, eu amadureci.
— Excelente! — exclamou a Morte — Parece que está deixando de ser um garotinho e se tornando um homem. Agora devo ir... continue assim!


E assim, se foi a Morte, deixando o garoto pensativo e confiante para o futuro.


O texto acima é "continuação" do texto: A Ilusão e a Morte


7 de fev. de 2014

Nuvem negra

A nuvem negra se aproximava lentamente,
Por onde ela passava destruía tudo,
Matava as flores do campo, destruía a vida...
Todos corriam dela, mas ela era sempre implacável.

Dentro desta nuvem negra,
Estava a esperança amarrada por longas e grossas correntes de aço,
A esperança estava fraca, debilitada e presa dentro da ilusão.
A nuvem se alimentava dos sentimentos bons de todas as pessoas abaixo.

Esta nuvem não ia parar, a missão dela era um desafio,
Esta nuvem estava vindo até mim, lentamente,
Se alimentando dos meus pensamentos, roubando as minhas esperanças,
Roubando meu ar e apenas me deixando com medo.

A cada dia que ela se aproximava, eu podia ver os raios de sol cruzando-a,
Mas jamais sentia a bondade, a esperança e o amor.
Tudo estava escuro e eu apenas esperava e esperava a nuvem vir até mim...
... para me tragar por completo e me fazer submergir na escuridão.