11 de jun. de 2015

Explosão

Um estrondo. Maria sentiu o chão tremer e viu seus bibelôs tremerem nas prateleiras da sala, seu telhado sacudiu vagarosamente e ela teve certeza que algumas telhas haviam rachado após o impacto de algo desconhecido. Um silêncio brutal marcou o fim do evento desconhecido.
No início, ela achou se tratar de um pequeno terremoto, algo que nunca tinha vivenciado, mas depois se lembrou que tal coisa seria impossível, visto que no interior de São Paulo, em sua cidade de Ourinhos, nunca teve relato do evento. Saiu para o quintal e logo estava na rua e colocou a mão na boca ao ver a casa de sua vizinha, amiga de tantos anos, sem telhado e o sofá da sala tão bem arrumada pendurado na janela com a espuma para fora.
Maria correu até o portão baixo em meio as telhas e alguns porta-retratos que ela mantinha em cima da mesa de centro na sala, viu também algumas panelas e se assustou quando viu parte da porta da geladeira de inox que a amiga ainda pagava. Parte da casa estava pegando fogo e a fumaça começava a subir vagarosamente, não havia sequer uma telha ou um vidro nas janelas que a sua vista alcançava para contar a história, tudo estava pelo chão ou em cima dos telhados das casas vizinhas. A cozinha é que estava em chamas e Maria levou um susto quando viu alguns de seus vizinhos entrando na casa para ver o que tinha ocorrido, Maria se adiantou e entrou na sala e a cena era dolorosa, a pintura das paredes haviam caído com o reboco e a estante linda cheia de detalhes com espelhos estava partida ao meio despedaçada, não havia sinal da TV de plasma de 40 polegadas e as cortinas pendiam rasgadas por um pau partido.
A fumaça invadia o quarto e a temperatura estava alta, foi quando ela viu o que parecia ser uma mão e sangue, gritou! Gritou muito alto, mas mesmo assim se dirigiu até o corpo, era a filha de sua amiga, ela estava machucada, o guarda-roupa estava despedaçado no meio do quarto e todas as portas tinham sido arrancadas e arremessadas contra a parede, a cama estava sem os pés e o colchão retorcido num canto, o teto havia cedido e parte dele estava sobre a filha dela. Logo chegou ajuda e Maria se viu carregando o corpo da jovem até o quintal, mas ela retornou para procurar sua amiga Josefa, ela morava no bairro há 45 anos, desde bebê e ambas sempre foram muito amigas. Maria se dirigiu até outro quarto, este estava totalmente destruído. O ventilador de teto era a única coisa inteira, mas não havia ninguém lá, além do rombo enorme da parede e parte da mesa da cozinha.

Maria começou a chorar quando tentou ir à cozinha, está já não tinha mais nada que pudesse salvar, o fogo estava tomando conta, quando voltou pelo corredor ouviu um gemido dentro do banheiro, abriu a porta e viu sua amiga com um longo fio de sangue saindo da testa até o peito, a roupa dela estava rasgada e o corpo coberto de poeira, a pia do banheiro estava inteira, mas fincada na única parte do teto que não desabara, todos os azulejos tinham caído. Maria gritou novamente, mas já estava sendo amparada por três homens, que carregaram Dona Josefa até o exterior da casa. Maria chorava e abraçava a amiga deitada no chão. Ela estava em choque, mas conseguiu apenas dizer: — O... botijão...

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