Havia um garoto que há muito tinha perdido seus pais. Ele vagava pelas ruas de uma pequena cidade descalço e sujo, tinha um pouco mais de 10 anos e não havia nada no mundo que o consolasse.
A esperança já havia o deixado há muito tempo atrás e ele não tinha ninguém a quem contar, o mundo estava sombrio e perigoso. Está noite era Natal, e ele passava olhando pelas janelas das casas outras crianças ganhando presentes e sendo abraçadas, o amor estava por toda parte e ele se sentia cada vez mais triste, não havia como escapar, era inevitável esse sofrimento que ele sentia ali dentro, bem no fundo do peito em seu coração.
Um acidente mudaria sua vida.
Um motorista perdeu o controle de seu carro acertando a traseira do carro a frente, ninguém estava ferido. Uma mulher desceu do carro a frente e muito irritada se postou ao lado da janela do motorista, ela gritava e chutava a porta do carro, ela estava grávida, mas não parecia se importar muito. O motorista, por sua vez, abriu a porta e os dois começaram a discutir ardentemente, as pessoas em volta vieram de encontro e começaram a brigar também, de repente, parecia que não existia mais amor e nem qualquer outro sentimento bom. O garoto assistia a cena calado e em choque, não sabia o que fazer, até que gritou:
— Será que ninguém mais sabe o que é o espirito de Natal aqui? — Todos se calaram e olharam para o garoto, o grito tinha sido audível e agudo. Todos que olharam, viram o garoto sujo e com as roupas rasgadas, descalço e aparentemente com fome de tão magro.
A mulher grávida ficou perplexa com a cena, a noite caia e as luzes piscavam, faltava pouco para o dia 25 e ela ficou imaginando o que aquele garoto fazia na rua daquele jeito e naquele frio. Sem pensar, olhou para o motorista, também perplexo e a todos em volta, parece que todos estavam pensando a mesma coisa, onde está o espirito de Natal? Então a mulher andou até o garoto e perguntou:
— Menino, o que faz aqui no frio e todo sujo? Onde está a sua família?
— Eu... não tenho mais meus pais, eu vivo na rua. — Disse o garoto olhando para o chão.
— Meu Deus! Quantos anos você tem? — Ela perguntou
— Eu tenho 11.
O golpe foi sentido em todos os corações que assistiam a cena. O egoísmo, a falta do espirito de Natal, as diferenças, as razões nada importantes para as brigas. O que as pessoas esperam do natal? Inimizades? Ressentimentos? Mágoas? O que mais caberia de tão ruim em todos que não compreendem o que o Natal significa?
A mulher então puxou o garoto junto a si e o levou para o seu carro. Ela pediu desculpas a todos e o motorista pediu desculpas a ela, prometendo o conserto. Várias pessoas tiraram foto e questionaram o que ela faria com o garoto. Ela apenas assentiu e disse que ele merecia um banho, roupas descentes e um Natal cheio de amor e carinho como todas as crianças merecem.
A história logo repercutiu e os habitantes da pequena cidade se reuniram segurando velas em suas mãos a frente da casa da mulher grávida que abrigou o garoto que clamou pelo espirito de Natal. Como uma corrente, todos passaram a história a todos os conhecidos e como se fosse um milagre, replicaram a bondade e o amor, até todos caminharem a humilde casa da mulher para transformar o Natal do pequeno garoto órfão em um verdadeiro milagre de espirito de Natal.

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