Parado.
Estático.
Inerte.
Eu olhava para a imensidão,
Olhava para nenhum lugar,
Estava perdido demais nos meus pensamentos.
O sangue escorria pelos meus dedos.
Eu havia sido vítima da arma em minhas mãos.
Eu atirei e matei, me tornei um assassino
Não desperdiçando nenhuma bala da minha pistola 9mm.
Mas a cada acerto, eu via mais sangue e mais sangue,
Foi aí que descobri que essas balas ricocheteavam e me acertavam também.
Mesmo assim, não parei de atirar.
Ninguém erra sozinho na situação que eu estava.
Eu vi com meus próprios olhos a realidade, pela primeira vez.
Me assustei em ver o quanto me enganei por tanto tempo.
Pois, na realidade, nada daquilo era real.
O que é real? O ar que respiro agora é real?
A dor que eu senti depois de tantos tiros, era muito real.
Mas olhe para mim agora... sou a prova de balas.
Eu mudei tanto que chega a assustar, blindado da cabeça aos pés,
Depois de tantos ferimentos, dores e lágrimas.
Eu olho a minha volta e apenas digo mentalmente “não entre em pânico”,
A crueldade foi tamanha e tem sido ainda numa rede de mentiras que me cerca,
Me afoga, me prende, mas ao mesmo tempo é libertadora, me tira da ilusão.
O pior tiro não saiu da arma em minha mão,
E me acertaram em tantos lugares que eu nem imaginava que doeria.
Mas sou um sobrevivente e não consigo segurar um sorriso.
Há tanto ainda pela frente,
Não sabemos por qual motivo estamos vivendo,
A razão e o propósito de tudo, mas eu brindo a vida
E a chama continua queimando dentro de mim.
Esses pesadelos me deixam louco, mas me tornam mais forte.
E eu estou brilhando como fogos de artifício,
Ninguém jamais poderá apagar meu brilho novamente.Copyright © 2016

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